quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Prece do cão abandonado

Sabe "Senhor",
 só agora entendi porque meu dono 
me trouxe á praça aquele dia.

Não foi para passear, como pensei; ele não tinha esse hábito, mais mesmo assim fiquei contente. Logo que chegamos, ele me deu as costas e, apressado, entrou no carro, sem ao menos me dizer adeus.


Olhei para os lados, sem saber o que fazer, 
tentei segui-lo e quase fui atropelado.


O que eu fiz de tão mal? Á noite que ele chegava, eu abanava o rabo, feliz, mesmo que ele nem viesse ao quintal me ver. Ás vezes, eu latia, mas é porque havia estranhos no portão e eu não podia deixá-los entrar, sem a permissão do meu dono. Quem sabe foi minha dona que mandou, talvez eu desse trabalho. Mas as crianças, elas me amavam.

Como sinto saudades!
 Puxavam-me a cauda e eu virava uma fera, 
mas logo passava. 
Talvez eles nem saibam.
Devem ter dito que fugi.